Passei cinco anos da minha vida na Arquitetura e Urbanismo. Entrei em 2017 na UNI7 cheio de vontade de desenhar espaços, resolver problemas urbanos, entender como as pessoas se relacionam com o que é construído ao redor delas. Terminei em 2022 com o diploma na mão e um problema que ninguém tinha me avisado antes de entrar no curso: o mercado de arquitetura simplesmente não tinha vagas suficientes pra absorver todo mundo que se formava comigo.
Não foi por falta de tentativa. Trabalhei com modelagem 3D e renderização arquitetônica — primeiro captando meus próprios clientes com o Anderson Crush Studio, depois em regime integral numa empresa remota, a Rendereasy 3D. Aprendi Unreal Engine 5, 3ds Max, Corona Renderer, entreguei projeto atrás de projeto. Só que o mercado de ArchViz pra clientes remotos é instável, mal remunerado na maior parte das vezes, e depende de um fluxo de encomendas que nem sempre existe. Em algum momento percebi que estava otimizando minha rotina pra sobreviver ao mês, não pra crescer numa carreira.
A decisão de recomeçar
Recomeçar do zero numa área nova depois de cinco anos de faculdade e mais alguns de experiência profissional dá medo, sem meias palavras. Mas alguns fatores pesaram na decisão: o mercado de tecnologia estava (e está) com uma demanda muito mais consistente por profissionais; boa parte das habilidades que eu já tinha — atenção a detalhe técnico, conforto em aprender ferramentas complexas, disciplina pra entregar projeto sob prazo — eram diretamente transferíveis; e, sendo honesto, a curiosidade por computação sempre esteve ali, só nunca tinha tido espaço pra virar prioridade. Em 2025 entrei em Ciência da Computação na UNIFOR.
As vitórias que vieram depois
O que aconteceu nos meses seguintes foi rápido de um jeito que eu não esperava. Fui pra um hackathon internacional e voltei com o Nebula.exe premiado no NASA Space Apps Challenge, certificado pela NASA. Virei Monitor Bolsista pouco depois de começar o curso. Fui atrás de certificações que reforçassem tanto a base técnica quanto a comunicação — EF SET (nível C1 de proficiência em inglês), CTE-IA pela UFC, certificações pela Geração Tech e pelo FullStackClub. Construí projetos de verdade, não só de portfólio: o CondoManage (um sistema full-stack real, com IA, PIX e multi-tenant), este site que você está lendo agora, e o Smash Compendium. E, o que mais importa no fim das contas, consegui oportunidades reais no mercado: Analista de TI na REVITAR, Web Design no Synapse Lab, UI/UX Júnior na Oryon System, além de uma posição de liderança voluntária de projetos na comunidade Coda.CE.
Tudo isso aconteceu num período muito mais curto do que os cinco anos que levei pra conseguir minha primeira colocação estável em arquitetura. Isso não significa que os anos de arquitetura foram desperdiçados — a atenção a detalhe visual, o raciocínio espacial e a experiência de lidar com cliente vieram comigo e seguem sendo úteis todos os dias. Significa só que, às vezes, a decisão certa não é insistir onde não há demanda, é redirecionar o esforço pra onde ele realmente compensa.
Se você está enxergando o mesmo tipo de teto num mercado saturado, o recado que eu queria ter ouvido antes é esse: pivotar não é desistir. É redirecionar.
Anderson Crush
Desenvolvedor Full Stack
